A importância do ritmo na caminhada

Introdução:

Na atualidade o ser humano vive em um regime extremamente cansativo e desgastante em suas atividades diárias; seja no trabalho, na escola, em casa ou em qualquer outro lugar onde esteja ele está sempre preocupado com algo ou alguém diretamente relacionado ao seu dia-dia. Como conseqüência disto percebe-se que cada vez mais as atividades físicas são buscadas como forma de aliviar o stress diário, relaxar o corpo e principalmente melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas praticantes. Uma atividade física bastante popular por seu fácil acesso é a caminhada, já que praticamente não exige custo algum e pode ser realizada em qualquer lugar, seja na rua, na praia, no campo, nos parques ou em ginásios.

O presente artigo terá como objetivo principal descrever alguns critérios metodológicos de como a caminhada deve ser praticada em relação ao ritmo durante sua execução. A justificativa para a realização de um artigo desta natureza reside no fato de que a maioria das pessoas que praticam caminhada a fazem sem acompanhamento profissional e de maneira incorreta, contribuindo muito para que não se consiga atingir os objetivos propostos com a atividade. Desta maneira entendemos que as informações aqui contidas serão de grande valia não somente para nós, educadores físicos, mas também para todos aqueles que praticam regularmente a atividade da caminhada em sua vida cotidiana.

1) O ritmo e o comprimento das passadas na caminhada:

Dependendo do objetivo que se queira alcançar com a caminhada normalmente uma coisa você terá que fazer: alterar o ritmo de suas passadas normais. Sobre isto, Lima (1998) nos fala que:

(…) “observou-se que, tanto o aumento como a diminuição dos passos em relação ao seu comprimento natural, vão aumentar o consumo de oxigênio e, consequentemente, o gasto calórico”(…).(p.45)

Portanto, se o objetivo a ser atingido é um maior gasto calórico, como nas caminhadas que auxiliam às dietas para emagrecimento, sugere-se que o praticante modifique o ritmo de suas passadas naturais no sentido de caminhar com passos mais largos do que costumeiramente realiza. Se por algum motivo ele não conseguir se adaptar aos passos maiores, pode passar a caminhar com passos mais curtos que o normal. Ambas as técnicas consumirão mais calorias (Lima, 1998). Já se o objetivo é de apenas melhorar a qualidade de vida mantendo o condicionamento físico atual não se faz necessária a alteração no ritmo das passadas de quem caminha, contribuindo assim para que possa exercer a atividade com maior tranqüilidade e conforto muscular possível.

Podemos perceber a importância que o ritmo das passadas tem na caminhada quando relacionado ao objetivo que se deseja atingir com a atividade.

2) O ritmo e a intensidade na caminhada

Em quase 100% dos casos a caminhada visa um melhoramento das condições cardiopulmonares e circulatórias. Porém, para que estes objetivos venham a ser atingidos o praticante deve caminhar em um ritmo que obedeça a uma certa intensidade, normalmente estipulada por um profissional formado em educação física.

Para que os efeitos citados acima sejam alcançados recomenda-se que o marchador caminhe em um ritmo de intensidade que gire na faixa entre 70% e 80% em relação à freqüência cardíaca máxima, pois somente nesta faixa é que o coração pode causar estímulos mínimos necessários para a otimização do trabalho físico. Se o trabalho for feito muito abaixo desta faixa poderá não causar ganho algum ao organismo; já se for feito acima, além de não contribuir em nada com o melhoramento dos sistemas cardiovascular e respiratório, vai prejudicar o organismo com o acúmulo de substâncias tóxicas como o ácido láctico e radicais livres de oxigênio, uma vez que o trabalho realizado acima da faixa de 70% a 80% da freqüência cardíaca máxima estaria se utilizando do metabolismo anaeróbio para a produção de energia que sustenta o praticante durante a caminhada. Visto isso mais uma vez podemos perceber a importância que o ritmo, agora relacionado à intensidade, tem para com o desenvolvimento da prática da caminhada; isto, é claro, se bem orientado por um profissional de educação física com nível superior.

3) O ritmo e a duração na caminhada

Basicamente qualquer tipo de atividade física obedece ao princípio da progressividade, ou seja, sempre começar com exercícios mais moderados e paulatinamente chegar a atingir exercícios mais extenuantes. Como qualquer prática física a caminhada não poderia fugir a essa regra.

Aizenman (2002) nos fala que ao iniciar a prática da caminhada nós devemos começar devagar e ir aumentando gradualmente o ritmo de duração da caminhada. Um exemplo disto seria o de começar a se exercitar vinte minutos por dia em uma freqüência semanal escolhida pelo praticante e, com o passar do tempo, ir aumentando este ritmo de duração até atingir aproximadamente os sessenta à noventa minutos recomendados pelos diversos especialistas da área para as sessões de marcha. Com isso, percebe-se que os benefícios fisiológicos trazidos pela prática da caminhada são alcançados muito mais facilmente. Em contrapartida, infelizmente não é novidade que muitos profissionais de educação física que estão no mercado de trabalho não possuem informações suficientes para estabelecer um trabalho que obedeça ao princípio da progressividade. São os “professores” não formados. Lima (1998) nos fala que erros na dosagem do volume (ritmo de duração) da caminhada são importantes agentes estressores e causadores de problemas ortopédicos, o que se constitui na atualidade como os principais fatores que levam ao abandono da prática da caminhada. Mais uma vez faz-se perceber a importância do ritmo, agora associado à duração da atividade de caminhar.

Considerações finais:

Como o próprio título do presente artigo ilustra, a importância do ritmo na caminhada foi aqui descrita e analisada de uma maneira pela qual podemos perceber que o ritmo tem sim uma importância significativa na prática da caminhada, esteja ele associado ao comprimento das passadas, à intensidade ou à duração da atividade. Foram propostos e descritos também alguns critérios metodológicos a serem seguidos durante a prática da caminhada no sentido de fazer com que a mesma origine e proporcione todos os benefícios fisiológicos que pode trazer ao organismo humano. Sendo assim, acreditamos que o objetivo de nosso artigo foi atingido.

Para os leitores que analisarem o presente texto podemos sugerir que pensem duas vezes antes de caminhar por conta própria ou acompanhadas por profissionais não formados, já que, como observamos, a atividade praticada de maneira incorreta pode trazer sérios prejuízos ao corpo humano de uma forma geral. Cabe agora a nós, educadores físicos, nos aprofundarmos cada vez mais no estudo da caminhada para que venhamos a nos capacitar no sentido de que quando requisitados de forma prática possamos dar nossa contribuição na realização da atividade de maneira correta.

Referências bibliográficas:

1)AIZENMAN, Renato. Saiba como fazer uma caminhada. [on line] disponível na Internet. http:// www.cdof.com.br/caminh1.htm. 09/01/2003

2)LIMA, Dartel Ferrari de. Caminhada – teoria e prática. Rio de janeiro: sprint, 1998.

Allan José Silva da Costa

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